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Nós, Trabalhadores, 100 anos de luta

Musical retrata a conquista pelos direitos no trabalho

Nós, Trabalhadores, foi o musical que marcou o regresso do Teatro da Trindade Inatel à produção própria e que abriu as portas à temporada. Um espetáculo que surgiu das comemorações dos 100 anos do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. 

 

O Teatro da Trindade comemora 150 anos. Ao longo deste ano são muitas as propostas de espetáculos que vão desde o teatro, à música e dança. Nós, Trabalhadores, é um musical que marca o regresso do Teatro da Trindade Inatel à produção própria e que abre as portas à temporada, um espetáculo que surge também das comemorações dos 100 anos do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Nas palavras do ministro, José Vieira da Silva, “é um momento muito especial. É o final das comemorações dos 100 anos do Ministério, com uma passagem e ligação aos 150 anos do Teatro da Trindade”.

Nós, Trabalhadores é uma peça que revisita a evolução do mundo laboral ao longo dos últimos cem anos até à atualidade. Para a diretora do Teatro da Trindade e vice-presidente da Fundação, Inês de Medeiros, é um espetáculo que tem “uma tripla função, reafirma a ligação com o ministério, de uma forma solidária; permite iniciar a temporada do Trindade com uma produção própria, com um espetáculo musical, que é uma linha mestra da programação do Teatro da Trindade”.

Vicente Alves do Ó, realizador e encenador, foi o escolhido para conduzir Nós, Trabalhadores, uma escolha simples nas palavras de Inês de Medeiros pelo facto de ser um realizador “sensível com as questões das mulheres”, e por conseguir “abordar temas graves com leveza”.

Os textos da peça resultaram de uma pesquisa de Inês de Medeiros, uma das suas paixões, o “procurar coisas”, onde acabou por encontrar “discursos do Diário da República verídicos; um relatório de um agente da PIDE aquando das greves da Covilhã, também ele verdadeiro, com quatro depoimentos de trabalhadores” da época e que foram reproduzidos em palco, entre outros excertos que preenchem o musical.

“Nós fazemos poucas coisas assim em Portugal, coisas que falam muito diretamente da vida das pessoas, do seu quotidiano.” Para Alves do Ó era irrecusável não abraçar o desafio.

A mulher é o centro da narrativa, por ter sido, e ainda o é, o elo mais fraco no mundo do trabalho, mas importa destacar o homem destes 100 anos.

Pedro Pernas, único homem em palco, recorda que os homens também “sofreram quando foram obrigados a cumprir o dever militar, iam para o Ultramar e sabiam que iam para a morte”.

As músicas que acompanham os atores Joana Manuel, Sílvia Filipe, Sofia Marques, Joana Almeida e Pedro Pernas, são rearranjadas pelo diretor musical Miguel Tapadas, com originais do mesmo, como é o caso do tema Fado do Trabalho e do poema Calçada de Carris, “e aqui o Coro Menor fez um trabalho surpreendente, um coro amador”, afirmou o músico. Lara Li teve uma participação especial e também ela, assim como todos os atores, encenador e diretor musical, quis passar uma mensagem de esperança. “Que seja uma mensagem de esperança. Há testemunhos muito fortes, de torturas, mas o objetivo é olhar para trás com esperança, um olhar revolucionário e construtivo”, palavras da atriz Sílvia Filipe que emociona e deixa-se emocionar com a história que faz parte de cada um de nós, com uma luta que é nossa e “que é uma luta inacabada, que não faz sentido terminar”, como afirmou o ministro, Vieira da Silva.

A peça esteve em cena nos dias 13 e 14 de janeiro mas o objetivo é fazer com que seja reposta no Teatro da Trindade e que chegue também a outros palcos e públicos.

Maria João Costa