Desporto

Equipa feminina com remate certeiro

Contam com 26 anos de “ataques à rede”, e têm na equipa sénior feminina um caso sério de candidatas a campeãs nacionais da liga de voleibol da Fundação Inatel. O Volei Clube de Setúbal começou a época a liderar a 1.ª fase da Zona Sul.

 

“A vitória no campeonato, nunca foi um sonho, nem um objetivo”, quem o diz é o treinador da equipa, Jefferson Serra, que vê na humildade e seriedade os melhores dos objetivos, valores que transmite nos dois treinos semanais da equipa e em dias de jogo.

Conquistar o título é possível e ocupar o lugar de líder na primeira fase não surpreende quando têm novos reforços. A equipa cresceu com aquisição de cinco novas atletas e três regressos. Deixaram de ser apenas oito jogadoras para formarem uma equipa de 16.

Sílvia tem 16 anos, é a mais nova da equipa. Está em Portugal há um ano, veio ter com a irmã que já vive cá há 15 anos. Joga voleibol desde os 12 e quando teve oportunidade juntou-se à equipa de Setúbal. Entrou no início da época e confessa que tem sido uma mais-valia para o clube, sem falsas modéstias. Mas também sabe para o que veio. “As pessoas são muito sérias, vêm aqui treinar, não vêm aqui passar o tempo. Estão a dar tudo, e é isso que eu faço.”

Sara, ex-federada, escolheu jogar na Inatel e quando a compara às equipas federadas confessa: “Pensava que ia sentir uma grande diferença, mas não senti.”

Sandro Silva, fundador, presidente, treinador e jogador conta que o clube já está na liga da Fundação há mais de dez anos e entrou quando sentiu necessidade de acompanhar a idade e a vida de quem sempre se dedicou ao clube e ao voleibol. “Os nossos atletas mais velhos começaram a entrar na casa dos 30 e 40 anos, e em vez de pararmos de jogar entramos para a liga Inatel que é também muito competitiva.”

Os jogos e os treinos deixaram de ser apenas encontros para praticar desporto, mas para criar afetos. Quando na mesma equipa joga Jefferson, o treinador, com 53 anos, e alguém com 15 anos, há frases inevitáveis: “Tenho idade para ser teu avô, vê lá se fazes alguma coisa de jeito.”

Quem não esconde o afeto de ter sido bem recebida é Isabel, brasileira, residente em Portugal há 8 anos, e que é uma das ex-atletas que regressou ao clube.

Não esconde que é muito difícil ser mãe, trabalhar e ainda vir aos dois treinos semanais, mas a paixão pelo voleibol e a união da equipa incentivam-na a vestir a camisola.

Quem desistiu da modalidade e regressou de novo ao campo foi Sandrine, atleta profissional tinha ficado cinco anos sem jogar por motivos profissionais depois de épocas em clubes como o de Santo Tirso e Belenenses. Sandrine regressa aos jogos numa equipa onde encontrou o equilíbrio que procurava: “Aqui há tempo para tudo, para treino, bem-estar e convívio.”

Daniela é capitã, está na equipa há 10 anos e diz que o lugar na primeira fase não a surpreende. “Eu acreditei sempre que a equipa tinha potencial, aliás, eu já acreditava antes. A equipa também cresceu muito a nível da união.”

Como capitã sente apenas a responsabilidade acrescida de motivar nos momentos de quebra, porque em campo estão todas para o mesmo e sabem que é em grupo que conseguem as vitórias.

Campeãs 2016/2017? “Acreditamos sempre que é possível mas este ano esse sonho tem mais forma. Vamos continuar a trabalhar e entrar com humildade em campo. E vou continuar a levar a família para todos os jogos e treinos. Nós como não temos possibilidade de treinar de outra forma, temos filhos, e trazemo-los connosco.” Daniela sabe como conciliar o voleibol com a família, ela como outras jogadoras não deixam os mais novos em casa e fazem com que eles façam parte da família Volei Clube de Setúbal.  

Atualmente o clube joga no campeonato de Lisboa mas isso não incomoda, pelo contrário, fazer parte de “um campeonato de 14 equipas é mais motivante para nós do que estar a jogar aqui só com 3 equipas. Mas não é de descartar”, explica o presidente.

É visível o crescimento da liga Inatel, que neste caso se explica porque as jogadoras que terminam a carreira não querem parar de jogar, e pelo facto de ser dispendioso pertencer a uma equipa federada.

O campeonato 2016/2017 ainda está no início, mas já surpreende, já emociona, e é isso que faz sentido para quem joga e apoia o desporto da Inatel.

Maria João Costa