Viagens

Dias verdejantes em abril

Da janela do quarto sente-se chegar a manhã. Vem devagar. Os raios de luz incidem nas frondosas árvores dos jardins. O ar é leve. Inspiramos, expiramos, descontraímos. Ouvem-se os sons dos pássaros. E algumas vozes fascinadas com a beleza da paisagem.

 

Longe do bulício. As horas matinais são tranquilas e retemperadoras. Tudo a postos para passear. Uma visita guiada à Quinta da Aveleda, uma das principais quintas de produção de vinho verde do país, é um programa que não queremos perder. O património arquitetónico de estilo neoclássico, do início do século XIX, tem uma envolvência paisagística de grande beleza. Espraia-se o olhar nos parques e jardins onde florescem raras espécies de árvores, algumas centenárias, como o cipreste dos pântanos ou o cedro japonês. O primeiro período do dia fica completo com uma prova de vinhos e um almoço.

Depois do jantar assistimos à procissão das Endoenças. Esta procissão, com anos de história, é associada à celebração do Senhor dos Passos. A sua imagem é retirada da paróquia de Entre-os Rios, na noite de quarta-feira, pelas gentes do Torrão, população vizinha, de onde parte no dia seguinte de regresso ao local de origem.

As margens dos rios Douro e Tâmega são ornamentadas com milhares de velas. Há velas nas pontes, nas margens dos rios, nas janelas, nas fachadas, nas encostas das duas localidades, e também nos barcos que fazem o antigo trajeto. Uma curiosidade desta procissão é que o fornecimento de eletricidade é cortado durante a festividade, para que sejam apenas as velas a iluminarem a travessia. O cenário noturno fica completamente brilhante e mágico.

 

Foto: António Pinto

 

Na terra de Amadeo

A tarde abre-se para outro destino. Imaginamos seguir o itinerário do rio Tâmega para admirar as paisagens. Depois percorremos o centro histórico de Amarante. Há muito para ver. O casario, a Igreja de São Domingos, o Solar dos Magalhães, a Casa da Calçada, a Igreja e o Convento de São Gonçalo, a Varanda dos Reis, com as estátuas dos monarcas, ao centro D. João III e D. Catarina, ladeados pelas estátuas de D. Sebastião e Filipe I de Portugal.

Para visitar, ainda, o Museu Amadeo de Souza-Cardoso, que segundo o seu diretor, António Cardoso, “congrega um conjunto de artistas fundamentais para o entendimento da arte moderna e contemporânea em Portugal”. Além do interessante espólio de Souza-Cardoso, que revela as diferentes fases artísticas da sua obra, há também um conjunto de obras de artistas consagrados, como Júlio Pomar, Nadir Afonso, Manuel Cargaleiro, Vieira da Silva, entre outros.

O espaço é agradável para circular serenamente. De uma das janelas admiramos a escultura do escritor Teixeira de Pascoaes que parece observar o casario junto às margens do Tâmega, dizendo: “Pois tudo, tudo há-de passar, enfim,/ O homem, o próprio mundo passará/ Mas a Saudade é irmã da Eternidade” (in Marânus).

Recorde-se que o Grand Palais, em Paris, entre abril e julho do ano passado, expôs uma grande retrospectiva da obra de Amadeo de Souza-Cardoso. O artista viveu na capital francesa entre 1906 e 1914, regressando ao norte de Portugal, antes de romper a Primeira Guerra Mundial, onde morreu prematuramente aos trinta anos.

Atualmente o Museu do Chiado acolhe a exposição “Amadeo de Souza-Cardoso/Porto Lisboa/2016-1916”, patente ao público até final de fevereiro.

Sabores regionais

Depois de visitarmos o centro histórico amarantino cabe-nos decidir se nos deixamos cair em tentação, quando formos confrontados com alguns exemplares da doçaria conventual daquela região.

Como o programa inclui também uma ida ao Porto, partimos de autocarro para aproveitar a visita panorâmica pela cidade Invicta. Segue-se o embarque num cruzeiro que nos leva a conhecer as seis pontes que unem as margens do rio Douro. Durante a tarde há tempo ainda para passear pelas ruas do Porto, mas vamos escapar às ‘francesinhas’ porque ao jantar, no hotel de Entre-os-Rios, teremos os incontornáveis sabores da gastronomia local.

Chegamos ao último dia da nossa viagem. É domingo de Páscoa. Pela manhã saímos em direção ao Luso, onde nos aguarda um almoço em que o leitão será o protagonista da boa mesa portuguesa.

Teresa Joel

 

Páscoa em Entre-os-Rios

De 12 a 16 de abril

Partidas de Évora, Setúbal, Lisboa e Coimbra

Tel. 211 155 779 | turismo@inatel.pt | www.inatel.pt