Olhares

Mais de mil milhões de turistas percorrem o mundo, fruindo o que cada um deles procura, gerando um potencial económico de valor amplamente reconhecido, nomeadamente, no emprego, no comércio e indústria e serviços que o suportam.

Consciente desta onda que tem vindo a caracterizar a sociedade dos nossos dias, a Organização das Nações Unidas declarou 2017 como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento.

Devido ao clima, à História e à cultura, ao bom acolhimento e à simpatia natural e espontânea do povo português, à gastronomia regional e, ainda, à sua posição geostratégica, Portugal é atualmente um dos destinos turísticos mais procurados. O número de turistas que anualmente recebe nunca foi tão grande. Só no primeiro semestre do ano que passou, bateu todos os recordes, com mais de 8,5 milhões.

Entre as diversas motivações dos que nos visitam, debruço-me, em particular, sobre o turismo de natureza que, por razões ambientais, culturais e económicas, entendo dever ser sustentável, no respeito pela biodiversidade e, a par dela, pela geodiversidade que a suporta. Nesta classe de turismo em assinalável desenvolvimento no nosso país, compete-me chamar a atenção para a vertente abiótica da natureza sempre arredada das preocupações de quem decide nestas matérias. 

O convite oficial a esta vertente turística que, naturalmente, inspira as agências de viagem, não deve ficar-se, pois e apenas, como tem sido a prática entre nós, pela tónica na elevada diversidade de habitats naturais, com observação de aves e outras espécies. Territorialmente pequeno, Portugal tem grande diversidade geológica o que determina uma igualmente grande variedade geomorfológica e elevada diversidade de geossítios e geomonumentos, sendo insignificante o número dos oficialmente reconhecidos e classificados.

 

Há pois que dar relevo condizente com as respetivas importâncias a ocorrências como, entre outras, o Complexo Metamórfico da foz do Douro, o Polje de Mira-Minde (Alcanena), as Buracas do Casmilo (Condeixa-a-Nova), o Vale do Lapedo (Leiria), os Monumentos Naturais do Cabo Mondego, das Portas de Ródão e das Pegadas de Dinossáurio da Serra d’Aire, o Campo de Lapiás da Granja dos Serrões (Sintra), a Rota da Conheiras de Vila de Rei ou a Discordância Angular da Praia do Telheiro (Vila do Bispo).

Criado sob a égide da Comissão Nacional da UNESCO, em 2011, o Fórum Português de Geoparques Mundiais tem apoiado a entrada de Geoparques Nacionais que pretendam integrar a Rede Mundial de Geoparques. São membros deste Fórum, sob a coordenação da Comissão Nacional da UNESCO, o Geoparque Naturtejo da Meseta Meridional, o Geoparque Arouca, o Geoparque Açores e o Geoparque Terras de Cavaleiros. Como membro observador, há, ainda, o projeto de Geoparque Estrela.

Tendo por objetivos promover o desenvolvimento de novos Geoparques em Portugal, fornecendo-lhe apoio técnico e científico, coordenando iniciativas conjuntas e promovendo projetos tendo em vista a valorização do nosso património geológico, o Fórum Português de Geoparques Mundiais da UNESCO é uma importante mais valia na incrementação do turismo de natureza.

Uma outra mais valia à componente geológica nesta vertente do turismo nacional, de relevância científica e pedagógica, são os Centros Ciência Viva do Alviela, de Estremoz e do Lousal.

A.M. Galopim de Carvalho