Saberes

Requerer ou não requerer

 

Não haja a menor dúvida! Em muitas circunstâncias, cada vez com maior frequência, a Administração Pública, tanto a nível central como local, tem feito um concreto esforço de aproximação aos cidadãos. E, de facto, a atestar a veracidade destas palavras, não faltam exemplos de algum e inegável sucesso.

Veja-se o caso do famoso Simplex, cuja responsável máxima, a Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, há uns meses, anunciou duzentas e cinquenta e cinco medidas para melhorar a qualidade de vida dos portugueses. E as famosas Lojas do Cidadão, que se multiplicam por todo o país, facilitando o acesso e promovendo uma muito mais rápida resolução das mais diversas questões?

Na maior parte dos casos, até há impressos e formulários que facilitam a comunicação. Exagero não será afirmar que, por vezes, basta assinar e está feito o pedido, apresentada a queixa, denunciada a situação. De qualquer modo, de vez em quando, é necessário redigir um requerimento e, não raro, o requerente é confrontado com o problema que hoje pretendo elucidar.

Trata-se da conjugação da primeira pessoa do singular do presente do Indicativo do verbo requerer. Pois bem, embora se trate de um composto do verbo querer, a forma correcta é requeiro. Ex: Requeiro a V. Exa. autorização para utilização do recinto previamente identificado, para montagem de uma exposição de artesanato urbano, durante o período matinal.  

Também as formas do pretérito perfeito são diferentes das do verbo inicial. Assim, tenha-se em consideração requeri, requereste, requereu, requeremos, requerestes, requereram que muito diferentes são de quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram.

Enfim, mais um instrumento do inesgotável ferramental que importa ter à mão para aplicar nas nossas relações com as designadas entidades oficiais. E, convém não esquecer, sempre com a maior correcção gramatical! Não vá o diabo tecê-las…

João Cachado

[O autor escreve de acordo com a antiga ortografia]