Olhares

De Banco a Museu

 

O BNU foi criado pela Carta de Lei de 1864, assinada pelo rei D. Luís com a missão de, durante 137 anos, impulsionar o desenvolvimento do império português e agilizar as relações comerciais com a metrópole e fortalecer a indústria, comércio e a agricultura.

O Arq. Miguel Evaristo de Lima Pinto desenvolve o projeto e as obras de remodelação do edifício da Sede do BNU em 1866 (em simultâneo com o importante projeto do Teatro da Trindade).

Em 1924 os arquitetos Tertuliano Marques, Carlos Ramos e Cristino da Silva criam uma sociedade onde realizam obras pioneiras em betão armado, entre elas a Sede do BNU onde, da necessidade de reconstruir uma parte danificada por um incêndio ocorrido em 1950 e face à aproximação do seu centenário (1964), o Arq. Cristino da Silva concebe o projeto que remodelou e ampliou o BNU, mantendo a fachada pombalina do quarteirão e reconstruindo todo o interior em betão armado.

A CGD incorpora a Sede do BNU em julho de 2001 e secundariza-a originando a sua desqualificação por ausência de manutenção. Em 2003 o gabinete Arquiprojecta, concebe o projeto de adaptação a novas funções e inicia as obras de demolição cuja suspensão criou as condições hoje apresentadas.

Apesar da demolição quase integral dos interiores, os fragmentos restantes refletem o caráter do projeto do Arq. Tertuliano Marques, bem como a monumentalidade e riqueza dos interiores do Arq. Cristino da Silva e mantem a forte identidade e espírito do edifício.

O edifício esteve desocupado até 2008, altura em que acolhe a primeira exposição do Museu do Design (MUDE). Este inicia uma dinâmica na Baixa Pombalina, como importante foco cultural e turístico quer através da qualidade das suas exposições permanentes e temporárias, quer pela sua identidade e espacialidade única exterior e interiores.

A futura reabilitação da arquitetura e especialidades tem programa de Bárbara Coutinho e projeto de Luís Miguel Saraiva, vai permitir a abertura dos oito pisos do MUDE, conservando a sua imagem ‘em bruto’ que caracteriza o edifício e vai criar condições de segurança, conforto e acessibilidade a pessoas de mobilidade reduzida e vivenciar todas as áreas do museu.

O edifício ocupa o quarteirão, delimitado pelas ruas de São Julião a norte a nascente pela da Prata, pela do Comércio a sul e a poente pela Augusta, para as quais se irá abrir, e acolhe o MUDE que é um Museu dedicado a todas as expressões do Design, com áreas de exposição, criação, convívio, educação, debate e desfrute do tempo livre para alargar o conhecimento sobre o nosso passado comum.

Ernesto Martins