Comemorações

Celebrações em Beja e Águeda

No dia do seu aniversário, a 13 de Junho, a Fundação Inatel homenageia dois centenários Centros de Cultura e Desporto (CCD): Sociedade Filarmónica Capricho Bejense e Orfeão de Águeda. 

 

As comemorações começam a Sul do país para assinalar o 100.º aniversário da Sociedade Filarmónica Capricho Bejense. Fundada em 15 de Julho de 1916, foi constituída com o objectivo de manter uma Banda de Música e desenvolver uma acção cultural e recreativa em Beja, tendo realizado o primeiro concerto dezoito dias após a fundação, na Praça da República.

Colectividade popular de verdadeira utilidade pública na região, a Capricho proporciona, nos dias de hoje, uma vida cultural já enraizada na comunidade e cumpre integralmente a filosofia dos seus fundadores e promotores, mantendo uma Banda e uma Escola de Música como serviços gratuitos e promovendo actividades diversas, nomeadamente nas áreas do teatro e da dança. Para além destas actividades regulares, decorrem ainda na Capricho Bejense matinés dançantes, matinés de fados e a feira do livro usado e, durante o Verão, joga-se o jogo da malha no terraço.

A Banda Filarmónica é composta por cerca de 50 elementos, com idades compreendidas entre os 9 e os 60 anos, e tem sido coordenada e dirigida por vários maestros que contribuíram para o seu bom nome e prestígio em todas as participações em touradas, procissões, comemorações e concertos.

Em 2005, a Capricho acolheu a Escola de Danças de Salão, implementando uma nova dinâmica e rejuvenescimento, onde ainda hoje são ministradas as aulas de dança social. Das aulas de competição dadas até 2014, vários atletas consagraram o nome da Capricho Bejense e da cidade de Beja, tanto a nível nacional como internacional, conquistando excelentes classificações.

Em 2006, foi reactivado o grupo de teatro, Homlet – Companhia de Teatro da Capricho, cujos objectivos assentam na formação de actores, educação de públicos e consagração da arte teatral. “Hamlet”, de William Shakespeare, foi a sua a primeira produção, estreada em abril de 2007 no Pax Julia Teatro Municipal e concorrente ao Teatrália – Concurso Nacional de Teatro, promovido pela Inatel.

Ao longo dos seus 100 anos de existência, a Capricho foi impulsionadora de iniciativas pioneiras, tendo sido nesta Sociedade que muitos bejenses assistiram pela primeira vez a uma peça de teatro, a um concerto e a um programa televisivo ou leram um livro.

Salientam-se, no seu percurso, os Concertos da Orquestra Ligeira, as Sessões de Cinema, os Jogos Florais, o Encontro de Poetas Populares, os Torneios de Snooker, o Jogo do 31, as aulas de Yoga, os famosos Bailes da Pinha, o espectáculo "Boa Noite Beja", o Curso de Formação de Regentes, iniciativa inédita levada a cabo pela Delegação de Beja Inatel em parceria com a Sociedade Filarmónica Capricho Bejense, e a participação da Banda de Música no Mega Encontro de Bandas realizado no Estádio 1º de Maio, em Lisboa.

Em 2008, a Capricho foi constituída Entidade de Utilidade Pública e, em 2015, viu aprovada a sua candidatura ao programa de equipamentos urbanos de utilização colectiva que permitiu a requalificação da sede. Pela sua acção em defesa da cultura, a Sociedade Filarmónica Capricho Bejense foi, em 2016, agraciada pela Câmara Municipal de Beja, com a Medalha de Honra, pelo seu centésimo aniversário.

Orfeão de Águeda

No final da tarde de 13 de Junho, a cerimónia abre pelas 18h00 com um apontamento musical do Orfeão de Águeda. As intervenções oficiais estão a cargo do anfitrião, Gil Nadais, presidente da Câmara Municipal de Águeda, e de Francisco Madelino. O presidente da Fundação Inatel vai entregar a placa comemorativa dos 100 anos do CCD, cuja história surge no contexto da Grande Guerra. Em 1916, é constituída a Comissão Patriótica das Senhoras de Águeda com o propósito de minorar a situação das famílias dos soldados mobilizados e do Corpo Expedicionário Português. Mesmo em época de extrema penúria, todos participam e a guerra faz parte do quotidiano de Águeda. Esta comissão solicita então a Armando Castela a preparação de temas corais para uma récita de angariação de fundos, dando origem ao Orfeão de Águeda.

Em Outubro esta nova agremiação faz o seu ensaio geral e em Janeiro de 1917 apresenta-se pela primeira vez publicamente, em Águeda, ao serviço da cruzada de paz e fraternidade, no salão do Teatro Fernando Caldeira, com os 54 rapazes que compõem o Orfeão, num espectáculo que "causou no público uma grande e agradável surpresa, manifestada em fortes aplausos". Além de uma comédia e números musicais que contam com a participação de amadores, o Orfeão interpreta então “As Canções Transmontanas” de Pinto Ribeiro, “Hino à Noite” de Beethoven, “Coral” de Bach, “Coro dos Caçadores” de Weber e “As Camponesas” de Fernando Caldeira.

Cumprindo o desejo do seu fundador, Armando Castela, o Orfeão de Águeda consolida-se como uma escola para a sociedade, lutando contra a violência, a miséria e o analfabetismo e quebrando rotinas e comodismos, despertando as consciências. Os coralistas vinham do mundo do trabalho, a que se juntavam jovens estudantes e professores, protagonistas, nessa década e na seguinte, da vida social, desportiva e artística de Águeda.

Em 1930, num período de grande fervor bairrista, o novo Orfeão reaparece com um programa mais exigente, escolhendo um reportório que combina êxitos de 1917 com obras clássicas, como o “Ámen” de Berlioz, o “Coro dos Barqueiros do Volga” incorporando temas tradicionais, a “Rapsódia de Cantos Populares” de António Joyce e o “Linho Fresco” de Tomás Borba.

Ao Orfeão de Águeda se fica a dever a animação cultural local ao longo de décadas ininterruptamente, dando relevo ao património artístico local através da encenação de autores aguedenses, como: “A Noiva” de João de Adolfo Portela, em 1945; “Frei António de Águeda”, em 1921, e “Do Barril à Venda Nova”, em 1934, ambas de Serafim Soares da Graça; “O Marquês do Botaréu” de Ângelo Meneses, em 1925.

Na década de '90, a sua secção de Xadrez granjeou notoriedade, com presenças brilhantes em campeonatos nacionais, no entanto, a atividade do Orfeão de Águeda desenvolveu-se até aos dias de hoje, através do Grupo Coral Misto e do Grupo de Teatro – Teatro de Bolso do Orfeão de Águeda, destacando-se em diversas realizações e participações culturais.

O Orfeão de Águeda tem promovido e participado em espectáculos originais, em cooperação com Bandas de Música, Coros e artistas individuais, de que se destaca a sua presença na Casa da Música, no Porto; a sua participação em várias edições dos “Toques do Caramulo”, em produção conjunta com a d'Orfeu Associação Cultural; a produção conjunta “Sons do Adro”, no âmbito das comemorações dos 90 anos, com base em temas populares emblemáticos da região e envolvendo todas as colectividades com sede na Casa do Adro; e a participação, em 2008, na “Cantata Profana – Alma”, uma homenagem a Manuel Alegre, promovida pela Banda Marcial de Fermentelos, com o apoio da Câmara Municipal de Águeda.

Salientam-se, ainda, as várias participações do Coro Misto do Orfeão de Águeda em representação de Portugal, nomeadamente: em 2008, no concurso “The 18th International Festival of Advent and Christmas Music”, em Praga, onde alcançou o nível Prata entre os 74 Coros presentes; em 2012, no “6th Lago di Garda Music Festival”, em Itália, onde se apresentou como o único coro português; em 2014, no “4th Paris Music Festival”, em França.

Em 1991, o Orfeão de Águeda foi agraciado com a Medalha de Mérito Municipal que lhe conferiu o Estatuto de Utilidade Pública e, em 1996, a convite da editora Public -Art, participou na gravação "Os Melhores Coros Amadores da Região Centro".

Em 2016, o Orfeão de Águeda lançou o CD "O Centenário", comemorativo dos 100 anos de actividade, gravado na Igreja do Convento de Santo António de Serém.

Sofia Tomaz

[A autora escreve de acordo com a antiga grafia]