Olhares

Parque Gulbenkian

Um oásis de arte, ciência, cultura e lazer

O Parque da Fundação Calouste Gulbenkian, com uma área de 7,5 hectares, foi adquirido pela Fundação aos Condes de Vilalva, em 1957. Após ter recebido o Jardim Zoológico, um Centro Hípico e a Feira Popular de Lisboa, o Parque de Santa Gertrudes manteve o espírito a preservar, no entender dos arquitetos paisagistas António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles que conceberam o Parque, os jardins e os terraços ajardinados.

No interior do Parque foram projetados, pelos arquitetos Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy Athouguia, os edifícios da Sede e Museu da Fundação e no final dos anos 70 foi concebido o Centro de Arte Moderna por Azeredo Perdigão.

O desenho do jardim assentou na preservação do coberto arbóreo existente no Parque de Santa Gertrudes e na escolha criteriosa de árvores, arbustos e flores visando criar um espaço de recato, um paraíso na cidade. Foram necessárias modificações importantes no relevo original para a criação de um lago, um anfiteatro e a instalação de lajes no solo, para permitir uma circulação fácil e para que “a forma dos bosques e clareiras, a presença da água, o contraste da luz e da sombra correspondessem à essência das paisagens portuguesas”. O novo Centro Interpretativo dos jardins da Gulbenkian, designado Gonçalo Ribeiro Telles, refere estas e outras particularidades.

Na memória descritiva de 1961 é referido que a solução arquitetónica, a localização e o funcionamento dos edifícios se encontram eficazmente ligados à mancha verde envolvente conferindo uma perfeita continuidade entre espaços interiores e exteriores. A relação entre o edifício e o espaço verde é tão íntima que a vida do edifício se prolonga naturalmente para as salas ao ar livre e destas para as interiores, mantendo, no entanto, cada um dos espaços, as suas características bem definidas que, sem se misturarem, se completam mutuamente.

Em 2005 iniciou-se a renovação do Parque, com introdução de novos percursos para pessoas com mobilidade reduzida, novos espelhos de água e espécies, com projeto do arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles.

O edifício verde da Fundação Calouste Gulbenkian constitui exemplo ímpar dos novos caminhos da Arquitetura Moderna Portuguesa da década de 60, distinguido com o Prémio Valmor, em 1975, e classificado como Monumento Nacional, em 2010. O Museu, organizado em torno de dois jardins interiores e com inúmeros vãos amplos, envidraçados para o exterior, facilita o permanente diálogo entre Natureza e Arte.

O Parque Gulbenkian constitui um pequeno oásis numa cidade cada vez mais carenciada de espaços verdes, que convidem a um passeio tranquilo em contacto com a natureza que, todos os dias, apresenta uma cambiante diferente, proporcionando ao visitante um permanente desfrute.

Ernesto Martins