Saberes

Em Fevereiro e no ano inteiro, a coragem primeiro!

Já repararam que, cada vez mais pessoas têm dificuldade em evidenciar uma opinião diferente da considerada como socialmente dominante? Em sentido idêntico, aliás, não poderíamos questionar, acerca de algumas atitudes, nos mais distintos domínios, mesmo sem entrar no tão controverso como específico universo da moda que, por definição, procura generalizar uma maneira de vestir?

Que receio será este de afirmar a diferença? Vergonha? Timidez? Afinal, que pessoal dificuldade é esta que, nuns casos, leva alguém a não dizer, noutros, a não fazer aquilo que mais de acordo estará com a sua forma de ser, de estar, individual e colectivamente? Não estaremos nós próprios com receio de enquadrar e encarar a questão como característica de personalidade?

Pois, bem me parece que sim. E, se assim for, não chamamos as coisas pelos nomes… Na realidade, assim acontecerá porquanto o nome que por aqui paira tem muito desagradáveis conotações… Se bem entenderam, falamos do cobarde/covarde, palavra que admite as duas grafias e, morfologicamente, tanto podendo ser substantivo como adjectivo. Provêm do francês, antigo "coart", hoje "couard", significando que tem a cauda abaixada, caída. Ex: É tão farsante como cobarde.

Poderia terminar com outro exemplo muito adequado à reflexão para a qual hoje vos convidei, algo como Aqueles que escondem uma opinião válida são uns covardes. Só não o faço porque ainda tenho de vos lembrar que outras palavras há, como cota, regime, trasmontano que, admitindo dupla grafia, vos podem aparecer, respectivamente, sob as formas de quota, regímen, transmontano. Se assim suceder, não se assustem, enfrentem-nas com coragem…

João Cachado

[O autor escreve de acordo com a antiga ortografia]