Saberes

Realidade virtual

Nas grandes feiras internacionais da electrónica de consumo que se realizam anualmente no mês de Janeiro (CES-USA e IFA em Berlim) os fabricantes apostaram quase todos na chamada Internet das Coisas e na Realidade Virtual. A primeira, estamos há algum tempo a vivê-la com todos os dispositivos a poderem ligar-se entre si e através da Net. Coisas como frigoríficos e carros que conectamos através de smartphones já andavam por aí. Será de facto o futuro mas ainda pouco acessível nos preços. Mas a Realidade Virtual passa de facto a ser real. Prevê-se que as vendas de equipamentos como os famosos óculos que permitem a sensação de estarmos a viver em ambientes nunca imaginados atinjam este ano as 14 milhões de unidades. Essa tecnologia que engana ao cérebro, fazendo-nos acreditar que pilotamos um avião, exploramos um qualquer planeta descendo numa nave espacial na Lua ou em Marte ou que estamos no fundo do mar rodeados de peixes e corais, vai estar de tal modo presente nas nossas casas onde entrará todo o mundo por mais fechadas que estejam as portas. Apesar do conceito não ser novo pois podemos recordar os jogos de computador que há várias décadas nos apresentavam simuladores de condução e de voo em aeronaves, existentes também para treino dos pilotos da aviação comercial, esta nova Realidade Virtual significa um espaço onde o indivíduo vive uma experiência de imersão, tendo sensações reais de pertencer ou interagir com elementos que embora interactivos e com aspectos tridimensionais só existem virtualmente. A Realidade Virtual é assim a técnica que permite a maior interacção e imersão (sensação de estar dentro do que o computador projecta) a quem a utiliza. No futuro os elementos virtuais vão enviar estímulos para o utilizador de modo que ele os perceba utilizando o maior número possível de sentidos. Para já, os críticos destacaram o Gear VR, apresentado pela Samsung, uns óculos de realidade virtual com os quais mergulhamos numa nova experiência, uma espécie de viagem ao futuro, qualquer que ele seja, a partir do conteúdo móvel existente num smartphone. Importante, na nossa modesta opinião (e já se fazem ensaios nesse sentido) é a aplicação da realidade virtual à medicina contribuindo para a formação de novos cirurgiões, operando em corpos virtuais, ou terapias de psicologia comportamental para tratamento por exemplo de fobias em que o paciente, através dos óculos, é colocado virtualmente nas situações que necessitam tratamento.

Gil Montalverne

[O autor escreve de acordo com a antiga ortografia]