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Economia pessoal: atenção aos créditos

Após quatro anos de restrição da concessão de crédito, motivada pela necessidade dos bancos em cumprir os rácios de transformação recomendados pela troika, as famílias portuguesas estão a voltar a pedir mais crédito, incluindo ao consumo e à habitação. Por outro lado, as famílias adiaram a decisão de contratarem devido à diminuição significativa dos seus rendimentos e à incerteza quanto à evolução da situação económica.

Presentemente, num cenário de regresso ao mercado do crédito, é fundamental que cada consumidor ou agregado familiar efetue a avaliação da sua própria situação financeira, quer em termos orçamentais, quer em termos de objetivos.

Embora seja verdade que o crédito permite adquirir bens de elevado valor que, de outra forma, seriam inacessíveis para muitas pessoas, como é o caso de uma habitação própria, importa ter presente que as prestações associadas ao crédito constituem um tipo de despesa fixa e que a família deve sempre avaliar o seu impacto no orçamento familiar até à amortização total do empréstimo.

O acesso ao crédito deve ser responsável. Este princípio impõe deveres, tanto às instituições de crédito (concessão responsável de crédito), como aos consumidores (contratação responsável de crédito). O recurso ao crédito tem aumentado, é certo, mas não podemos esquecer o incumprimento dos particulares continua historicamente elevado. O incumprimento das responsabilidades de crédito ocorre quando o consumidor não paga na data prevista uma prestação do contrato de crédito que celebrou. Neste caso as instituições podem cobrar penalizações e juros moratórios, implicando um aumento da prestação a pagar.

Portanto, a elaboração do orçamento familiar e análise da situação financeira da família é indispensável para decidir com responsabilidade e comprometimento o recurso ao crédito. Mais informações em www.gasdeco.net.

Natália Nunes

Coordenadora do Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado